O VOO DO PÁSSARO

E agora eis que começas com teus voos, passarinho!
Deixarei no oco de alguma árvore, uns raminhos, restinho de folhas. Tudo bem posto para que possas guardar teus bons sentimentos ou descansar um pouco, para se livrar dos maus.  
Um dia voarás muito alto meu amigo. Mas saiba que podes voltar! Todo tempo é longo quando me escapas do olhar.
Podes voltar para se lembrar do riso frouxo na hora do almoço, das eternas reclamações na hora de dormir.
Das manhãs de inverno. Tantos abraços e conversas debaixo de cobertores com estampas de bichos multicoloridos!
Podes voltar caso sinta vontade de reviver meus afagos, meus olhos marejados de saudade enquanto dormes no quarto ao lado.
Voltar para encontrar minha alma de mãe, a mesma que no meio da noite acordava com o farfalhar dos teus lençóis, com o ruído do colchão, com teus suspiros de criança que sonha.
Podes voltar para que me lembre do meu eterno alívio, minha alegria em te ver correndo portas e janelas feliz e ausente dos medos. Medos que me deste, sem nem saber, enquanto te esperava viver.
Voltar para me falar de descobertas, incertezas e uma vida para sorrir.
Já não é tão cedo para te dizer isso. Logo, logo nascerá um amanhã e ganharás as nuvens mais altas. Eu não poderei te alcançar.

Então podes voltar. Não somente para me relatar um grande acontecimento. Mas também pelo beijo e abraço, pelos dedos entrelaçados e para que eu possa ver teu olhar inteligente e curioso de pássaro que agora compreende o voo.

2 comentários:

Tania Salgueiro disse...

Nossa, estava sem receber suas postagens. Não sei o que aconteceu. Mas que bom que reativei essa fonte de poesia e pecadinhos...rs. Quanta falta me fez, só agora vejo. Lindo e emocionante esse texto. Bjs

Vera Menezes disse...

Que lindo...

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